sábado, 26 de maio de 2007

Duas versões!

Chico Buarque - A televisão Chico Buarque

O homem da rua
Fica só por teimosia
Não encontra companhia
Mas pra casa não vai não
Em casa a roda
Já mudou, que a moda muda
A roda é triste, a roda é muda
Em volta lá da televisão
No céu a lua
Surge grande e muito prosa
Dá uma volta graciosa
Pra chamar as atenções
O homem da rua
Que da lua está distante
Por ser nego bem falante
Fala só com seus botões
O homem da rua
Com seu tamborim calado
Já pode esperar sentado
Sua escola não vem não
A sua gente
Está aprendendo humildemente
Um batuque diferente
Que vem lá da televisão
No céu a lua
Que não estava no programa
Cheia e nua, chega e chama
Pra mostrar evoluções
O homem da rua
Não percebe o seu chamego
E por falta doutro nego
Samba só com seus botões
Os namorados
Já dispensam seu namoro
Quem quer riso, quem quer choro
Não faz mais esforço não
E a própria vida
Ainda vai sentar sentida
Vendo a vida mais vivida
Que vem lá da televisão
O homem da rua
Por ser nego conformado
Deixa a lua ali de lado
E vai ligar os seus botões
No céu a lua
Encabulada e já minguando
Numa nuvem se ocultando
Vai de volta pros sertões


Pato Fu - Televisão de cachorro

ÀS VEZES PENSO QUE EU ASSISTO TV
COMO O CÃOZINHO QUE OLHA O FRANGO RODAR
QUE MAIS E MAIS SABOROSO DE SE VER
AGUÇA CADA VEZ MAIS MEU PALADAR
E QUANDO UMA GOTINHA DE ÓLEO CAI
COMO UMA NOVIDADE QUE ENTRA NO AR
EU PARO TUDO, EU PARO DE PENSAR
SÓ PRA FICAR TE OLHANDO, TELEVISÃO
PORQUE O QUE ESTÁ LÁ DENTRO
É TUDO O QUE EU QUERO TER
PORQUE O QUE ESTÁ LÁ DENTRO
É TUDO O QUE NÃO POSSO SER
EU PERCO HORAS BABANDO SEM SABER
QUE SE O GALO MORREU NÃO FOI POR MIM
E QUANDO OUTROS CÃEZINHOS VEM ME IMITAR
SÃO TELESPECTADORES NO MESMO CANAL
MAS MEU CACHORRO NADA VÊ NA TV
E É AÍ QUE EU VEJO O BURRO QUE O BICHO É
A TELA PLANA NÃO DEIXA ELE PERCEBER
A PROPAGANDA BACANA DE FRANGO


sexta-feira, 25 de maio de 2007

Compromisso...

Escrevo para reiterar minha promessa inicial de manter fielmente a não regularidade das postagens deste digníssimo blog. Mas é lógico que também não pretendo deixá-lo tão entregue às baratas!
E como já via algumas teias de aranhas penduradas em alguns cantinhos obscuros do mesmo, resolvi voltar!
É incrível como hábitos estranhos nos fazem descobrir coisas inúteis, porém imperceptíveis aos olhos acostumados à nossa mesmice rotineira diária... Essa minha nova mania de às vezes não ter sono antes das duas da matina, me fez perceber que:
--O relógio de pulso do meu pai está bizarramente programado para despertar à 1:54 da madrugada... Vc entende por quê? Eu idem...
--Há uma simpática colônia de mariposas de armário morando na cozinha...(ah, não sei o nome delas de verdade... São aquelas mariposas que nos desenhos saem aos montes de dentro dos armários vazios!) Só ontem contei 6! Informação inútil, mas simpática!

Ahh! Sobre Soppa de Letras! Sim, Pedro Paulo Rangel é genial mesmo, ele e a sua voz que quase também se personifica no palco! Outra voz que não a dele não faria o mesmo efeito!
Mas na peça faltou sei lá... Um borogodó (como diria Camila)! Era incrível e tal, mas batia sempre na mesma tecla... Quem viu sabe!
Queria que agora tivesse outra versão, uma mais carregada de letras políticas. De um tempo que não vivi em que pessoas precisavam rebolar para não serem caladas definitvamente.

Enfim... Um post para desabandonar o blog.

Qualquer dia eu volto! Adiós!